Aracaju-Sergipe - Brasil

terça-feira, 29 de agosto de 2017

A morte de Diana obrigou a monarquia britânica a se modernizar

Após os inúmeros escândalos que prejudicaram a imagem de uma instituição distante, aferrada ao protocolo e à tradição, a família real precisava retomar o controle
 

 A morte da princesa Diana há 20 anos revelou a família real britânica e a obrigou a se modernizar para ficar mais acessível mediante uma eficiente estratégia de comunicação. "Paradoxalmente, a morte da 'princesa do povo' e as emoções que provocou obrigaram a família real a se adaptar", explica à AFP o especialista em Relações Pública Mark Borkowski. "Eles tinham de se modernizar". Enquanto o povo chorava e colocava milhares de buquês

de flores diante das grades do Palácio de Buckingham e do Palácio de Kensington após o anúncio da morte de Diana em 31 de agosto de 1997, o príncipe Charles - seu ex-marido - e a rainha Elizabeth II permaneciam entrincheirados em sua propriedade de Balmoral, na Escócia, sem fazer 

declarações durante dias. Apesar da onda de indignação que crescia em todo o país, a rainha esperou até a véspera do funeral para quebrar o silêncio, durante um discurso excepcional televisionado e que marcou o antes e depois na comunicação da monarquia britânica.

Coreia do Norte dispara míssil que sobrevoa o Japão

© Reuters O míssil balístico intercontinental Hwasong-14 é visto durante teste divulgado pela Agência Coreana de Notícias (KCNA) em Pyongyang – 05/07/2017

Coreia do Norte disparou um míssil não identificado nesta segunda-feira (início da terça-feira no horário local). O projétil passou sobre a ilha de Hokkaido, no Japão. O governo japonês emitiu alertas de emergência para que os moradores de algumas áreas se refugiassem em locais seguros.
Segundo a emissora NHK, o Japão não tomou nenhuma ação para derrubar o míssil. “Aparentemente um míssil balístico foi disparado e sobrevoou nosso país”, afirmou o primeiro-ministro japonês Shinzo Abe. “Vamos reunir mais informação imediatamente e analisar os dados e faremos nosso melhor para proteger o público”.
Também segundo a emissora, o míssil se quebrou em três partes e aterrissou a 1.100 quilômetros a leste de Cape Erimo, nordeste do Japão. Aparentemente, o projétil caiu no mar, porém a informação ainda não foi confirmada oficialmente. Ainda não se sabe que tipo de projétil foi usado pela Coreia do Norte.
A última vez em que os norte-coreanos dispararam um míssil sobre o Japão foi em 1998. O lançamento de hoje, contudo, acontece em um momento de crescimento da tensão entre os dois países. Pyongyang vem ameaçando nos últimos meses disparar projéteis sobre o território japonês e nas águas americanas de Guam, localizado na Micronésia.
Segundo a emissora americana NBC, o projetil norte-coreano foi disparado por volta das 5:57 da manhã do horário local (18h27 em Brasília).

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Bomba da 2ª Guerra Mundial é encontrada em Fukushima

Exército ainda irá avaliar se bomba encontrada perto da usina de Fushima tem chance de explodir
 Foto: AFP


Bomba foi achada nas imediações da usina nuclear de Fukushima, no Japão

ABr


  A Polícia do Japão está examinando o que parece ser uma bomba sem explodir da Segunda Guerra Mundial achada nas imediações da usina nuclear de Fukushima, informou nesta quinta-feira (10) a rede pública japonesa NHK. As informações são da agência de notícias EFE.
O artefato foi encontrado nesta manhã por operários da construção que estavam fazendo perfurações durante os trabalhos de ampliação de um estacionamento a cerca de 300 metros da usina, propriedade da Tokyo Electric Power Company (Tepco), situada no Nordeste do país asiático.
O dispositivo mede cerca de 85 centímetros de comprimento e 15 centímetros de diâmetro, segundo as fontes policiais, que enviaram imagens da bomba ao Exército japonês para determinar se ele pode ainda explodir e avaliar medidas para sua retirada.

O terreno abrigou no passado um aeroporto do Exército imperial japonês que foi atacado por forças aéreas durante a Segunda Guerra Mundial, de acordo com informações da Tepco.
A Polícia isolou uma área de 200 metros ao redor do dispositivo, mas a medida não atrapalha os trabalhos de desativação da central atômica.

Tensão entre os EUA e a Coreia do Norte: há razão para temer uma guerra nuclear?

© AFP Em um ambiente tenso, um ato mal interpretado pode iniciar uma guerra

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, disse que vai responder às ameaças da Coreia do Norte "com fogo e fúria jamais vistos pelo mundo".
Enquanto isso, a Coreia do Norte ameaçou lançar mísseis contra a ilha de Guam, território dos EUA no Pacífico habitado por 163 mil pessoas.
E tudo isso acontece em meio a informações de que Pyongyang possa ter finalmente conseguido miniaturizar uma ogiva nuclear para caber em um míssil intercontinental - uma perspectiva temida há muito tempo pelos Estados Unidos e seus aliados asiáticos.
Seria isso um prenúncio de um conflito militar?
Especialistas dizem que não há motivo para pânico. Eis as três razões para isso:

1. Ninguém quer guerra

Isso é o mais importante. Uma guerra na península coreana não é do interesse de ninguém.
O principal objetivo da Coreia do Norte é a sobrevivência - e uma guerra com os Estados Unidos poderia comprometer isso. Como o analista para Assuntos de Defesa da BBC Jonathan Marcus pontuou, qualquer ataque norte-coreano contra os EUA ou seus aliados no contexto atual poderia rapidamente evoluir para uma guerra maior - e é preciso assumir que o regime de Kim Jong-un não é suicida.
Aliás, é por isso que a Coreia do Norte tem se empenhado tanto em se tornar uma potência nuclear. Pyongyang parece acreditar que ter essa capacidade protegeria o regime - aumentando o preço para derrubá-lo. Kim Jong-un não quer seguir o caminho de Muammar Khadafi, na Líbia, ou Saddam Hussein, no Iraque. Nenhum dos dois possuía armas nucleares.
Andrei Lankov, da Univeridade de Kookmin, em Seul, disse ao jornal britânico The Guardian que "a probabilidade de conflito é muito baixa", mas que a Coreia do Norte "tampouco estava interessada em diplomacia" a essa altura.

"Primeiro eles querem ter a habilidade de limpar Chicago do mapa, aí então eles estarão interessados em soluções diplomáticas", disse Lankov.














                                             © AFP/Getty Lançamento de míssil norte-coreano

E quanto a um ataque preventivo americano?
Os Estados Unidos sabem que um ataque à Coreia do Norte poderia forçar o regime a retaliar atacando Coreia do Sul e Japão, aliados dos EUA.
Isso poderia resultar em muitas mortes, incluindo as de milhares de americanos - tropas e civis.
Além disso, Washington não quer correr o risco de que sejam lançados mísseis contra cidades americanas.
Por fim, a China - o único aliado de Pyongyang - ajudou a manter o regime precisamente porque seu colapso poderia ser pior para ela estrategicamente. Tropas americanas e sul-coreanas a um passo da fronteira chinesa formariam um cenário que Pequim certamente prefere evitar - e é isso o que aconteceria em caso de guerra. 

2. Palavras, não ações

Trump pode ter ameaçado a Coreia do Norte com uma linguagem incomum para um presidente americano, mas isso não significa que os Estados Unidos estejam marchando rumo à guerra.
Como uma fonte militar anônima disse à agência Reuters: "Só porque a retórica fica mais agressiva não quer dizer que nossa postura muda".
O colunista do New York Times Max Fisher concorda: "São os tipos de sinais, não os comentários bruscos de um líder, que mais importam nas relações internacionais".
Além disso, depois dos dois testes de mísseis intercontinentais da Coreia do Norte em julho, os Estados Unidos tentaram uma tática diferente - pressionar Pyongyang através de sanções do Conselho de Segurança da ONU.
E seus diplomatas têm mostrado otimismo sobre um eventual retorno à mesa de negociações, apontando para o apoio de China e Rússia.
Esses dois países enviam sinais conflitantes a Pyongyang, mas também moderam a retórica agressiva do presidente Trump.
Ainda assim, alguns analistas dizem que um movimento mal interpretado no contexto de tensão poderia levar a uma guerra por acidente.
"Poderia ocorrer uma falha de energia na Coreia do Norte que pudesse ser interpretada como um ataque dos EUA. Ou os EUA podem cometer um erro [na Zona Desmilitarizada]", disse à BBC Daryl Kimball, do centro de estudos americano Arms Control Association. "Então há várias formas de cada lado errar o cálculo e a situação acabar saindo do controle". 

3. Nenhuma novidade

Como pontua o ex-secretário-assistente de Estado dos EUA PJ Crowley, Estados Unidos e Coreia do Norte chegaram perto de um conflito armado em 1994, quando Pyongyang se negou a permitir a entrada de inspetores internacionais em suas instalações nucleares. Na ocasião, a diplomacia venceu.
Com o passar dos anos, a Coreia do Norte fez ameaças incendiárias contra Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul com regularidade, muitas vezes ameaçando transformar Seul em um "mar de fogo".
E a retórica de Trump não é exatamente sem precedentes para um presidente americano.
"De várias maneiras diferentes, ainda que de uma forma não tão colorida, os Estados Unidos sempre disseram que, se a Coreia do Norte atacar, o regime deixará de existir", diz Crowley.
A diferença desta vez, acrescenta ele, é que o presidente dos Estados Unidos parece sugerir que tomaria uma atitude preventiva (apesar do secretário de Estado, Rex Tillerson, ter descartado esse opção depois).
Esse tipo de retórica belicosa imprevisível vindo da Casa Branca não é comum e preocupa as pessoas, dizem analistas.
Ainda assim, a Coreia do Sul - o aliado americano que mais tem a perder em um confronto com o Norte - não parece estar muito preocupada.
Um assessor da Presidência em Seul disse a jornalistas que a situação não chegou a um nível de crise e que é muito provável que tudo seja resolvido pacificamente.
Isso é motivo para otimismo.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Presidente da CPI do BNDES no Senado teve campanha financiada por JBS

Dos 21 senadores que vão compor a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do BNDES no Senado, ao menos três receberam doações do grupo J&F na eleição de 2014, incluindo o próprio presidente do colegiado, Davi Alcolumbre (DEM-AP). A CPI foi instalada na semana passada e tem como objetivo investigar empréstimos feitos pelo banco de fomento que beneficiaram o conglomerado do setor de carnes.
Dos cerca de R$ 2 milhões de doações que Alcolumbre recebeu oficialmente em 2014, R$ 138 mil foram oriundos de doações do grupo J&F. Além dele, os outros dois membros da CPI do BNDES que também aparecem na planilha apresentada pela JBS são os senadores Acir Gurgacz (PDT-RO) - que recebeu R$ 833 mil de um total de R$ 4,2 milhões - e Paulo Rocha (PT-PA), que recebeu R$ 233 mil da JBS de um total de R$ 3,3 milhões de doações. Os senadores não possuem até o momento inquéritos abertos no Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo o pedido de criação da CPI, de autoria do senador Roberto Rocha (PSB-MA), o colegiado tem como objetivo principal investigar supostas irregularidades nos empréstimos concedidos pelo BNDES no programa de globalização das companhias nacionais nos últimos 20 anos, com destaque para operações de financiamento do grupo J&F, controlador do frigorífico JBS, cuja delação levou à investigação do presidente Michel Temer.
Joesley Batista e Wesley Batista, donos da JBS (Foto: Claudio Belli / Valor Econômico / Agência O Globo)